Modelo de Intervenção
O modelo de intervenção adotado pela Santa Casa da Misericórdia de Evoramonte, assenta numa abordagem holística que procura conhecer a pessoa nas suas múltiplas dimensões e proporcionar serviços que respondam às necessidades e desenvolvam os seus potenciais.
Para o efeito foi aditado o MODELO DE QUALIDADE DE VIDA para a população idosa que se desenvolve por seis domínios fundamentais (Manual WHOQOL -OLD):
I. Habilidades sensoriais
Reporta ao estado de funcionamento sensorial da pessoa, tendo ainda em consideração o impacto da perda de habilidades sensoriais na qualidade de vida. Ao estar focalizada nos sentidos (por exemplo, audição, visão, olfacto), a análise deste domínio implica, designadamente, a identificação de necessidades em termos de utilização de ajudas técnicas e a sinalização de estratégias de compensação/ alternativas já implementadas ou a implementar.
II. Autonomia
Refere-se à independência, à capacidade ou liberdade de viver de forma autónoma e tomar decisões. Assim, para além da recolha, análise e interpretação de informação, no sentido de conduzir a decisões conscientes, inclui as áreas de mobilidade e realização de actividades de vida diária. A este nível podem ser exploradas questões como o locus de controlo que a pessoa sente ter sobre a sua própria vida, bem como aquele que demonstra ter através da narração de episódios de tomada de decisão. Para aqui contribui também a identificação das tarefas que o indivíduo realiza autonomamente ou para as quais necessita de apoio, considerando os diferentes graus de apoio possíveis.
III. Actividades passadas, presentes e futuras
Relativo à satisfação sobre as conquistas na vida e coisas a que se anseia, este domínio remete para a integração narrativa do ciclo de vida do indivíduo, com particular ênfase nos papéis e actividades desempenhadas. Em jeito de balanço orientador da acção futura, são identificadas as áreas de realização e de reconhecimento pessoal e social do indivíduo, de modo a apoiar a construção de um projecto de vida baseado na combinação virtuosa das actuações realizadas com as atualmente executadas, numa lógica de potenciação das mesmas e de re/construção das expectativas face às evências futuras.
IV. Participação social
Assente na participação nas atividades quotidianas, especialmente na comunidade, este domínio implica a presença em contextos vivenciais e o envolvimento em papéis e atividades de idêntico cariz. Além da implementação de competências de vida em comunidade, inclui a densidade da rede social de apoio (por exemplo, familiares, amigos, sócios de uma mesma associação), bem como a proximidade e intensidade dos contactos. No sentido da efetiva inclusão social, implica ainda a capacidade de afectar e ser afectado pelos dinamismos sociais.
V. Morte e morrer
Relacionado com a integração das narrativas vivenciais requeridas pelo domínio anterior, o presente domínio remete para a preparação para o luto de pessoas próximas (por exemplo, companheiro/a, irmãos, amigos, outras pessoas residentes na ERPI), bem como para a organização psicossocial da conclusão do seu próprio ciclo de vida. Assim sendo, este domínio integra as preocupações, inquietações e temores sobre a morte e sobre morrer, numa lógica de promoção da assimilação funcional e ajustada desse momento como parte integrante da vida.
VI. Intimidade
Considerando a importância das vivências afectivas do indivíduo, refere-se à capacidade de ter relacionamentos pessoais e íntimos. Inclui a satisfação da pessoa com as relações afectivas, amorosas e sexuais que estabelece, na relação entre as suas expectativas e os resultados alcançados percebidos. Integra ainda as atitudes e os comportamentos adoptados em relação aos outros.
No âmbito do apoio psicossocial, e como elementos integrantes das actividades supracitadas, destacam-se algumas dimensões de intervenção, que se consideram críticas:
– apoio espiritual;
– gestão de conflitos entre clientes.